quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Com corte, Moody's deixa Brasil abaixo de Guatemala, Namíbia e Cazaquistão

A agência de classificação de risco Moody's cortou a nota de crédito do país em dois degraus, de "Baa3" para "Ba2", e tirou o último selo de bom pagador.
Com isso, o Brasil agora tem nota de crédito pela Moody's igual à da Angola e pior que a de países como Guatemala (Ba1), Namíbia (Baa3), Cazaquistão (Baa2) e Paraguai (Ba1).
"Não merecemos estar abaixo da Guatemala nem no mesmo patamar de Angola, mas merecemos esse rebaixamento", afirma o economista Alexandre Cabral, na NeoValue Investimentos.
Porém, ele diz que o rebaixamento foi merecido, pois reflete a situação do país. "Não adianta ficar passando a mão na cabeça do filho que não faz o dever. Se ele vai mal na escola, precisa ficar em casa estudando sem se divertir até aprender a lição."
Pior nota entre os Brics
Dentre os países emergentes da sigla Brics, o Brasil agora é o que tem a pior nota.
Quem tem a melhor avaliação pela Moody's é a China (Aa3), seguida por ela África do Sul (Baa2), Índia (Baa3) e Rússia (Ba1).
Avaliação indica risco de calote
Um governo consegue dinheiro vendendo títulos no mercado. Os investidores compram papéis com a promessa de receberem o dinheiro de volta no futuro com juros. Quando um governo tem avaliação ruim, considera-se que há risco de dar um calote e não pagar esses investidores.
Se houver desconfiança sobre essa devolução, fica difícil conseguir vender esses títulos, e o país tem de pagar mais juros aos investidores para compensar o risco maior. O país com mais confiança são os EUA.
O rating, ou classificação de risco, indica aos investidores se um país, empresa ou negócio é considerado um bom pagador ou não.
O chamado grau de investimento, por exemplo, indica que uma economia tem baixo risco de dar calote, e que as aplicações financeiras feitas por investidores estrangeiros nesse país terão risco próximo a zero.

Agências falharam na crise de 2008/2009

A classificação das agências de risco é um instrumento relevante para o mercado, uma vez que fornece aos potenciais credores uma opinião supostamente independente a respeito do risco de calote de países, empresas e negócios.
Porém, as agências foram muito criticadas por terem falhado na crise global de 2008/2009. Elas deram boas notas para operações de vendas de hipotecas imobiliárias nos EUA que afundaram bancos e investidores e geraram a grande crise financeira.

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