Chamou a atenção dos investigadores os altos valores atribuídos às operações financeiras, todas de R$ 500 mil ou R$ 1 milhão. Para os delegados Márcio Adriano Anselmo e Renata Silva Rodrigues, autores do pedido de prisão preventiva encaminhado a Moro, ‘a inserção de codinomes é um claro indicativo de tratar-se de operações à margem da contabilidade da empresa, buscando ‘mascarar’ pagamentos não contabilizados de forma oficial’.
Além do vasto ‘menu’, a mais nova planilha descoberta pela Operação Acarajé traz também referências a vários esportes – transações são registradas com referências a ‘tênis’, ‘basquete’, ‘remo’, ‘polo aquático’, ‘beisebol’, ‘esgrima’, ‘futebol’, dentre outros.
Os investigadores alegam não ter dúvidas de que a expressão ‘feira’, que entrou no rastro da Lava Jato desde o ano passado quando foi apreendido o celular do empresário Marcelo Odebrecht, dono da empreiteira, e no qual aparecem repetidas vezes a expressão em suas anotações pessoais. Com as novas informações apresentadas nesta quinta-feira, 3, já é a segunda planilha da Odebrecht que a PF vê como um dos indicativos da contabilidade paralela da empreiteira para João Santana e sua mulher e sócia no Brasil.
Na semana passada, quando pediu a prorrogação da prisão temporária do casal, a PF já havia apontado a existência de uma planilha no computador da secretária de executivos da empreiteira Maria Lúcia Tavares com a descrição ‘programa Feira’ indicando sete repasses no valor total de R$ 4 milhões entre 24 de outubro e 7 de novembro de 2014, durante o segundo turno das eleições presidenciais.
Na ocasião, a PF já havia apontado que se tratava também de uma movimentação à margem da contabilidade oficial da empreiteira.
COM A PALAVRA, A ODEBRECHT
“A Construtora Norberto Odebrecht não se manifestará sobre fatos que envolvem inquérito em andamento.”
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