quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Se fosse para decidir já, o Senado mandaria soltar Delcídio



POR RICARDO NOBLAT- 25/11/2015 11:17 / atualizado 25/11/2015 14:13
Ao Senado, nos próximos dias, caberá decidir se o senador Delcídio Amaral (PT-MS), líder do governo, continuará preso ou se será solto. É o que manda a Constituição.
A prisão foi autorizada, ontem à noite, por Teori Zavaski, relator da Operação Lava-Jato no Supremo Tribunal Federal; e referendada, há pouco, por unanimidade, pela 2ª Turma do Supremo.
Sem perder a elegância que a toga exige, Zavaski socorreu-se dos adjetivos mais duros para qualificar o comportamento de Delcídio no caso da roubalheira na Petrobras.
O senador não se limitou a extrair vantagens de negócios sujos feitos no âmbito da Petrobras – como a compra, por exemplo, da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos.
Foi de uma ousadia temerária ao acenar com uma mesada de R$ 50 mil mensais para a família de Nestor Cerveró caso ele não fizesse a chamada delação premiada.
Cerveró foi diretor da Petrobras. Está preso. E delatou. Foi um dos seus filhos que gravou uma conversa com Delcídio onde o senador se oferece para tirar Cerveró do país, se Cerveró assim preferisse.
O Senado tem 81 senadores, dos quais 13 são investigados pela Lava-Jato. Delcídio é ali um senador querido por seus pares graças à simpatia que irradia e à facilidade que tem de colecionar amigos.
Para que ele permaneça preso, pelo menos 41 senadores, em voto aberto, terão de confirmar a decisão de Teori, confirmada pela 2ª Turma do Supremo.
Assim, de bate pronto, se o Senado fosse obrigado a votar hoje, a impressão que se tem lá dentro é que Delcídio acabaria solto de imediato. Só que a decisão não será tomada hoje.
O Supremo tem 24 horas para comunicar ao Senado a prisão de Delcídio. Mas o Senado terá o prazo que quiser para deliberar a respeito. Quanto mais demorar a fazê-lo, pior para Delcídio.
A pressão externa sobre o Senado para que Delcídio fique na prisão só aumentará à medida que mais gente tome conhecimento dela. As redes sociais já dão claros indicativos disso.
O Senado terá coragem para se opor ao Supremo e às ruas libertando Delcídio? Uma vez que decida deixa-lo preso, como, um dia, poderá recebê-lo de volta sem que o decoro parlamentar seja ferido?

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