A manifestação a favor do impeachment escolheu, na prática, a corrupção do PMDB, já que, saindo Dilma, entram Temer, Renan Calheiros, Eduardo Cunha e outros acusados de corrupção. Alguns talvez prefiram a corrupção do PSDB, de saudosa memória, mas atualizada em São Paulo com a denúncia recente das licitações fraudulentas dos trens e metrôs.
Se o PT deu um show de gestão em matéria de corrupção, o PSDB sempre se destacou no quesito inovação: a matriz do mensalão foi o PSDB de Minas Gerais. O desvio da merenda escolar por um grupo do PSDB de SP foi muito criativo. E o Aécio, presidente do partido, foi acusado de receber propina de Furnas, território do Eduardo Cunha.
Já a manifestação contra o impeachment defende na prática o monopólio da corrupção pelo PT, já que seus manifestos contra o golpe não tocam nas denúncias de corrupção contra o PT e o Lula, beneficiados com vantagens até pessoais, com dinheiro das empreiteiras desviado da Petrobras. O PT nunca criticou Zé Dirceu e jamais vai criticar Lula. O partido lembra sempre o aumento da renda e do consumo, e a redução da desigualdade, mas esquece que não houve melhora significativa nos serviços públicos essenciais (educação, saúde, segurança, transporte etc.). Além disso, o governo do PT sempre apoiou o agronegócio, os bancos, as mineradoras e, obviamente, as empreiteiras.
Entre os cenários possíveis, o impeachment poderia ter um efeito imprevisto: o PT na oposição poderia se fortalecer para 2018. Não teria mais que apoiar um governo medíocre e incompetente, que faz o contrário do que prometeu e executa mal a política da oposição.
O risco é que futuros governos pós-impeachment façam tudo para controlar as investigações da Lava-Jato, de modo que ela não atinja os seus. Nesta hipótese, saem uma presidente e um ministro da Justiça que não cercearam as investigações da PF para que as raposas novamente se apossem do galinheiro.
O impeachment pode ou não ser golpe. O do Collor não foi. Havendo crime de responsabilidade do(a) presidente e seguindo os trâmites previstos na Constituição, o impeachment não seria golpe. Hoje, ele não é viável, mas isso pode mudar. O PMDB pode virar e podem encontrar ou inventar algum crime de responsabilidade da presidente. Há também o estranho caminho da anulação da eleição pelo TSE. Neste caso, teríamos eleição direta se a decisão do TSE for tomada este ano, ou indireta pelo Congresso, se for tomada ano que vem. A primeira hipótese é bem mais democrática.
O melhor seria um pacto com as principais forças políticas visando a um programa de transição. Mas a presidente Dilma não quer dividir poder. Quando estiver com a faca no pescoço, pode mudar de ideia, mas talvez seja tarde demais. A pior solução é continuar mais três anos sangrando o Brasil e abrindo caminho para a direita se fortalecer hoje e vencer amanhã.
É bom não esquecer que a operação Mãos Limpas, modelo que inspirou a Lava-Jato, acabou produzindo na Itália o desastroso governo Berlusconi. E além de Sérgio Moro, o Bolsonaro foi o segundo nome mais citado nas manifestações de 13 de março. Esse filme pode acabar mal. O melhor caminho seria um pacto ou eleições diretas.
Liszt Vieira é professor da PUC-Rio e Marijane Lisboa é professora da PUC-SP
Se o PT deu um show de gestão em matéria de corrupção, o PSDB sempre se destacou no quesito inovação: a matriz do mensalão foi o PSDB de Minas Gerais. O desvio da merenda escolar por um grupo do PSDB de SP foi muito criativo. E o Aécio, presidente do partido, foi acusado de receber propina de Furnas, território do Eduardo Cunha.
Já a manifestação contra o impeachment defende na prática o monopólio da corrupção pelo PT, já que seus manifestos contra o golpe não tocam nas denúncias de corrupção contra o PT e o Lula, beneficiados com vantagens até pessoais, com dinheiro das empreiteiras desviado da Petrobras. O PT nunca criticou Zé Dirceu e jamais vai criticar Lula. O partido lembra sempre o aumento da renda e do consumo, e a redução da desigualdade, mas esquece que não houve melhora significativa nos serviços públicos essenciais (educação, saúde, segurança, transporte etc.). Além disso, o governo do PT sempre apoiou o agronegócio, os bancos, as mineradoras e, obviamente, as empreiteiras.
Entre os cenários possíveis, o impeachment poderia ter um efeito imprevisto: o PT na oposição poderia se fortalecer para 2018. Não teria mais que apoiar um governo medíocre e incompetente, que faz o contrário do que prometeu e executa mal a política da oposição.
O risco é que futuros governos pós-impeachment façam tudo para controlar as investigações da Lava-Jato, de modo que ela não atinja os seus. Nesta hipótese, saem uma presidente e um ministro da Justiça que não cercearam as investigações da PF para que as raposas novamente se apossem do galinheiro.
O impeachment pode ou não ser golpe. O do Collor não foi. Havendo crime de responsabilidade do(a) presidente e seguindo os trâmites previstos na Constituição, o impeachment não seria golpe. Hoje, ele não é viável, mas isso pode mudar. O PMDB pode virar e podem encontrar ou inventar algum crime de responsabilidade da presidente. Há também o estranho caminho da anulação da eleição pelo TSE. Neste caso, teríamos eleição direta se a decisão do TSE for tomada este ano, ou indireta pelo Congresso, se for tomada ano que vem. A primeira hipótese é bem mais democrática.
O melhor seria um pacto com as principais forças políticas visando a um programa de transição. Mas a presidente Dilma não quer dividir poder. Quando estiver com a faca no pescoço, pode mudar de ideia, mas talvez seja tarde demais. A pior solução é continuar mais três anos sangrando o Brasil e abrindo caminho para a direita se fortalecer hoje e vencer amanhã.
É bom não esquecer que a operação Mãos Limpas, modelo que inspirou a Lava-Jato, acabou produzindo na Itália o desastroso governo Berlusconi. E além de Sérgio Moro, o Bolsonaro foi o segundo nome mais citado nas manifestações de 13 de março. Esse filme pode acabar mal. O melhor caminho seria um pacto ou eleições diretas.
Liszt Vieira é professor da PUC-Rio e Marijane Lisboa é professora da PUC-SP

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