A presidente Dilma Rousseff mostrou indignação no discurso proferido em 2 de dezembro, logo após o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, ter aceitado a abertura do processo de impeachment contra ela. Dilma ressaltou que não paira sobre ela nenhuma suspeita de desvio de dinheiro público ou outro ato ilícito.
Além de uma provocação a Cunha, acusado de ter contas ilegais no exterior, a afirmação é uma forma de a presidente se distanciar pessoalmente dos atuais escândalos de corrupção. No entanto, esse argumento pode não funcionar em sua defesa.
“A responsabilidade política vai além da pessoal”, diz o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes. Segundo o ministro, para ocorrer o impeachment não é necessário haver uma prova como foi o famoso Fiat Elba para o ex-presidente Fernando Collor de Mello — o carro de uso particular do presidente foi comprado com dinheiro de contas fantasmas, o que subsidiou o processo de impeachment de Collor.
Nenhum ministro do Supremo tem sido tão abertamente crítico ao Partido dos Trabalhadores como Mendes. Deputados petistas desistiram de questionar a abertura de processo de impeachment na Câmara depois de descobrir que Gilmar Mendes havia sido o sorteado para julgar o pedido. Entre os 11 ministros da corte, ele é o único indicado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
Mato-grossense de Diamantino, Mendes vem de uma família de fazendeiros. Cursou direito na Universidade de Brasília, foi procurador da República e advogado-geral da União. Está no Supremo desde 2002, corte que presidiu de 2008 a 2010.
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