Em 1985, Antônio Carlos Magalhães (ACM ou Toninho Malvadeza), também apoiou Tancredo Neves na Nova República e foi convidado para ser ministro das Comunicações, cargo ocupado durante o governo de Sarney, vice de Tancredo. ACM criou um ministério com uma visão política e destinou, para a Bahia, 96 concessões de rádio e seis de televisão, isto é, 10,2% do total de concessões efetuadas pelo Ministério. Mais que isso, os “aliados políticos (deputados e prefeitos), parentes e amigos do ex-ministro foram deliberadamente os grandes beneficiários na Bahia.” Em 1986, quando assumiu o Ministério das Comunicações, um dos principais fornecedores de equipamentos de telecomunicações para governo, durante 20 anos, foi a Nec Brasil (subsidiária da Nippon Eletric Company), de Mário Garnero. Mas, ACM suspendeu as encomendas e a Nec passou a ter dificuldades financeiras e foi desvalorizada.
A Rede Globo, adquiriu, nesta ocasião, a Nec e o governo restabeleceu as encomendas com a empresa. Como retribuição, Roberto Marinho encerrou o contrato de 18 anos com a TV Aratu, que era a repetidora da emissora na Bahia. A nova escolhida foi a TV Bahia, controlada por associados e parentes de ACM. No livro, "A história secreta da Rede Globo", Daniel Herz conta sobre o aliado imprescindível: “No final de 86, estourou o escândalo das trocas de favores entre Antonio Carlos Magalhães e Roberto Marinho. Magalhães usou seu poder de ministro ajudando Marinho a arrancar do empresário Garnero o controle de indústria de telecomunicações Nec. Então a denúncia do deputado Elquisson Soares, feita há quase 2 anos, passou a ser domínio público: o próprio ministro das Comunicações controla indiretamente uma concessão de televisão. A CPI no Congresso chegou a investigar a denúncia de que a concessão foi uma compensação por serviços prestados pelo senador à Globo quando foi ministro das Comunicações no governo José Sarney. Com uma canetada, o cacique pefelista suspendeu o pagamento de uma dívida de US$ 30 milhões da Telebrás com a NEC do Brasil, do empresário Mário Garnero. Asfixiado financeiramente, Garnero acabou vendendo o controle da empresa a Roberto Marinho. Com dono novo, a Telebrás quitou imediatamente a dívida.
Da mesma cadeira do Ministério, ACM manipulou a distribuição de concessões de rádio e tevê que garantiu os cinco anos de mandato de Sarney. A farra ajudou a TV Bahia a espalhar seus tentáculos no Estado. Antes resumida a uma emissora em Salvador, ela era uma rede que atingia metade da população baiana graças a cinco filiadas, todas distribuídas por ACM a correligionários. "Dois terços da verba publicitária do governo da Bahia vão para o caixa da família de ACM. É um caso único de coronelismo eletrônico. O governo estadual paga às empresas de ACM para fazer propaganda dele mesmo", acusou a deputada estadual Lídice da Mata (PSB), ex-prefeita de Salvador, que sentiu na pele a força do arrastão eletrônico do senador.
O outro braço do império de comunicações do senador, o Correio da Bahia, nasceu a partir de uma parceria que ACM tentaria encobrir. O jornal foi comprado com a ajuda financeira do grupo Odebrecht. Enquanto o senador alinhavava o negócio, o dinheiro ficou aplicado em títulos ao portador no Banco Real.
Em três anos e meio Sarney distribuiu 1.028 outorgas, aproximadamente 25% delas no mês de setembro de 1988, que antecedeu a promulgação da Constituição. Quase todos os beneficiados foram parlamentares que, direta ou indiretamente, receberam as outorgas em troca de apoio político aos cinco anos de mandato e o regime presidencialista. Motter mostrou que, dos 91 constituintes que receberam ao menos uma concessão de rádio ou de televisão, 82 (90,1%) votaram a favor do mandato de cinco anos.
Além de beneficiar a Globo e Sarney, ACM também aproveitou sua estada no governo federal para incrementar sua influência na área da comunicação na Bahia. A maior parte das concessões das emissoras que integram a Rede Bahia eram dessa época. Antônio Carlos Magalhães Júnior é o presidente da Rede Bahia. Em 1987, a TV Bahia, do grupo, se tornou afiliada da Rede Globo, desbancando a TV Aratu, que retransmitia o sinal da emissora da família Marinho havia 18 anos.
Leia mais na Rede Escândalos da Revista Veja
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Caso Coroa-Brastel

O caso Coroa-Brastel foi aberto pela Justiça em 1985, quando uma denúncia chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra oempresário e contra dois ministros, Delfim Neto (Planejamento) (à esq) e Ernane Galvêas (Fazenda). Os ex-ministros eram acusados de desviar recursos públicos na liberação de empréstimo da Caixa Econômica Federal ao empresário em 1981.
O empréstimo de, na moeda da época, cruzeiros - Cr$ 2,5 bilhões -, seria utilizado no reforço de capital de giro do grupo e no plano de expansão da Brastel. Segundo a denúncia, o dinheiro teria servido para quitar dívidas junto ao Banco do Brasil e ao Banespa. O caso foi a julgamento no ano de 1994. A denúncia contra Galvêas foi rejeitada. Já a acusação contra Delfim, então deputado pelo PPR-SP, não chegou a ser examinada. A Câmara negou licença ao STF para processá-lo.
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