Saiu Joaquim Levy, tachado pelos simpatizantes do governo como lacaio de banqueiros e arauto do mal e do fim das benesses promovidas pelo populismo lulista. Mais ou menos como os cidadãos da Grécia na crise européia entram em guerra contra os governos que propõem qualquer espéie de austeridade que signifique algum tipo de sacrifício.
Entrou Nelson Barbosa, com a missão ilusoriamente esperançosa, por parte daqueles mesmos simpatizantes do governo, de colocar uma BMW em cada garagem que hoje guarda um carro popular financiado a perder de vista, e um bacalhau do tamanho de um travesseiro na mesa de cada família contemplada pelo Minha casa Minha Vida durante a ceia de Natal. É o retorno da visão integralmente insustentável da economia movida a crédito irresponsável e sem lastro que levou esse governo à segunda reeleição do seu ciclo.
Não custa muito, para garantir e perenidade da ilusão de mobilidade social, que Nelson Barbosa decida que o Brasil, na condição de colônia de Portugal, pleiteie a adesão à União Européia, da forma como Porto Rico é parte dos Estados Unidos. Teríamos nós o dinheiro e a benevolência das locomotivas europeias, e poderíamos consumir chocolates belgas, vinhos de safras premiadas, carnes argentinas e as já citadas BMW sem preocupar com o câmbio, usando a moeda local, o Euro.
Com Levy, inevitavelmente conheceríamos (todos nós, os brasileiros) o conteúdo da fatura apresentada pelos anos de gastos sem freio. Com Barbosa, entramos novamente na estratégia de guardar as contas embaixo do tapete, junto com todo o resto da sujeira, sem ao menos tentar saber quando vai ser colhido pelos bancos no dia em que o salário for creditado.
O fato é que as instituições estão em efervescência, sem saber se o carnaval será presidido por Dilma Rousseff ou outra pessoa qualquer, nem se Eduardo Cunha ainda reterá o mandato para compor algum governo alternativo, caso Dilma seja Afastada. Não há, portanto, nenhuma forma de adivinhar o que acontecerá, o que vai mudar. Mas é bastante possível observar o que está mudando agora: estamos regredindo alguns anos mais na nossa história de desequilíbrio e falta de rumo...
MAURÍCIO TERRA
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