O rompimento dos fundamentos da vida em sociedade e da democracia pode gerar desencanto e desilusão.
O Brasil construiu, a duras penas, uma democracia sólida e um ambiente de liberdade antes nunca vivenciado. A aventura cidadã liderada por Ulysses e Tancredo nos possibilitou a anistia, as eleições livres, a Constituição de 1988, o pluralismo e a alternância no poder. O Plano Real deu bases sólidas para o desenvolvimento econômico e social. Hoje, as visões totalitárias ou antidemocráticas têm expressão marginal. A democracia é um valor universal e permanente. E a qualidade de nosso futuro está na qualidade de nossas instituições.
Qual é o Brasil que queremos deixar como herança para as novas gerações? Quando me sentei em frente ao computador para escrever estas linhas, pensei nisso. Mas quando olhei pela janela, visualizei um horizonte nebuloso.
Ao lado de uma recessão contratada para 2015 e 2016 de -3% e -2%, de um déficit fiscal sideral de 10% do PIB, de um desemprego aceleradamente crescente e de uma inflação que ameaça sair de controle, vemos a população desalentada com a corrupção generalizada, com um governo que não produz mais esperança e com os resultados produzidos por nossa democracia.
Uma presidente sem condições de liderar o país, grandes empresários atrás das grades pelo uso sem limites de relações incestuosas com o setor público, um senador da República preso, um presidente da Câmara dos Deputados que não reúne mais condições de dirigir a instituição, dezenas de lideranças políticas ameaçadas pela Lava Jato e a credibilidade do sistema político ladeira abaixo. Estamos espantando investimentos e oportunidades.
Há um ambiente de perplexidade. Todos sabem que algo vai ocorrer, mas ninguém sabe o que será. É preciso rediscutir nosso pacto social e político. Mas o ambiente de confiança, credibilidade e esperança só será retomado com mudanças profundas.
O Brasil do futuro não pode ter a cara de Dilma, Eduardo Cunha e Renan Calheiros. Chega de pesadelos. O Brasil dos nossos sonhos deverá ser reinventado a partir do fim do presente ciclo.
Marcus Pestana é deputado federal pelo PSDB-MG
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