segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

My Way



A semana mostrou avanços e definições. Mas as incertezas continuam altas. O fim político de Cunha parece aproximar-se, o impeachment parece afastar-se, mas novas complicações surgem: Picciani contra Quintão; Renan contra Temer; a decisão do STF melhora a situação política da Presidente; a suspensão até fevereiro da questão sobre Eduardo Cunha dá a ele um espaço de manobra, embora não se saiba bem de que isso lhe servirá...
E as incertezas se mantêm: O Brasil perdeu o grau de investimento - e aí? A inflação sobe e o PIB baixa – até quando? Haverá mudanças na política econômica? Que acontecerá com o PMDB? De que tamanho será o déficit público em 2016? Como reagirão as ruas ? Todas essas dúvidas têm uma única resposta: Ninguém sabe.
A queda de Levy, vista como catastrófica poucas semanas atrás, passou quase despercebida, vítima da banalização das notícias-bombas. Estamos no meio de uma série de TV, dessas que não têm roteiro estabelecido.
O PMDB rachará mesmo? (Acho que essa disputa na cúpula ocorreu antes da hora) Quem ficará com o melhor pedaço? Se Renan sair-se bem no Partido e bem com o governo, que influência isso terá sobre sua situação na operação Lava-Jato? Terá alguma?
Temer proibiu novas adesões. Recentemente as eleições internas da Câmara têm sido muito duras, formando maiorias frágeis e inconstantes. Temer de repente viu-se pisando terreno resvaladiço. Sua liderança também pode ser desafiada. Em torno de que Temer e Renan poderiam formar um acordo para evitar o esfarelmento? Você também acha que o país está precisando de eleições gerais já?
A eventual eleição de novo Presidente do PMDB e de novo Presidente da Câmara terão importância na decisão do processo de impeachment?.
Como reagirá o país? O governo parece satisfeito com a evolução da situação, mas ninguém sabe como estarão e que estarão fazendo as ruas na primavera. O Governo que se fie.
A dança das cadeiras está apenas começando. Depois dos recessos tem mais.
Uma pergunta: Por que o Senado, a partir da nova interpretação do Supremo, precisa apenas da maioria simples dos senadores presentes para rejeitar o processo de impeachment mas precisa de dois terços para condenar o Presidente da República? Teoricamente, por que 22 senadores (a hipótese mínima) podem desfazer uma decisão tomada por mais de dois terços dos deputados? Qual é o novo equilíbrio entre as duas Casas?
E uma observação: As incertezas são tão variadas e as possibilidades de manobra tão amplas que, afinal, cada um dos políticos protagonistas poderá dizer, do alto do seu orgulho ou do fundo da sua cela: I did it my way.José Viegas Filho
José Viegas FilhoEmbaixador aposentado, foi ministro da Defesa

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