“Aliás, a Dilma está proibida de aparecer na praia. Pra não assustar o Ano-Novo! Senão o Ano-Novo sai correndo, não entra e a gente fica no Ano Velho.”
O dilema é que não se sabe o que será pior: se 2015, já vencido, ou o porvir de 2016.
Uma coisa é certa: teremos a travessia de ano, mais indefinida e sem previsibilidade, da história do Brasil.
As apreensões se generalizam, em relação ao futuro do país. O governo tenta aparentar ter sido afastado o risco do impeachment.
Sem pessimismo, trata-se de pura ilusão de ótica, ou simplesmente, tentativa de enganar a si mesmo.
Quem analise o momento nacional com isenção, enxerga com nitidez, que o estomago e os bolsos vazios da população, ao lado da indignação pela corrupção endêmica, anteveem um Congresso “acuado”, a partir de fevereiro próximo, em face de pressão nacional incontida.
Antes da recente decisão do STF, o governo intimidava os congressistas, ao denunciar a existência de golpe em marcha. Agora, o Supremo legitimou o impeachment como solução democrática, prevista na Constituição. Não há mais que falar em golpe.
Diante desse novo quadro, os congressistas que porventura votarem pelo afastamento de Dilma, não irão temer o epíteto de golpistas. Ficarão livres da acusação de antidemocratas.
O próprio judiciário, caso acolha a anulação das eleições de 2015 por vício insanável, não estará praticando atentado à ordem democrática.
O ano de 2016 começará com dois cenários distintos: ou, o governo livra-se do impeachment, com a realização plena do ajuste fiscal, absolutamente indispensável, ou, ocorrerá o inevitável agravamento de insuperáveis dificuldades, no caixa do tesouro nacional.
Impeachment é sempre o resultado de irresistível sentimento popular de protesto. E tudo começa com a derrocada da economia, afetando o emprego e renda.
Collor caiu, a partir da hora em que congelou a poupança.
Dilma poderá cair, a partir do momento em que adiar o ajuste fiscal, que não pode ser realizado a base de “mágicas”, fantasias, ou irrealismo.
Não há tratamento saudável e indolor para o enfermo na UTI, como é o caso da economia brasileira.
As aparências levam a conclusão de que o PT, Lula e Dilma não interessam fazer o ajuste fiscal, como recomendado por Joaquim Levy.
Eles desejam maquiar a economia.
Colocaram Nelson Barbosa na Fazenda, com a missão política de aproximar-se da CUT, MST, Sindicatos e sua base política petista, além de liberar favores e benesses para “calar” lideranças empresariais.
Lula tem defendido junto a Dilma, aliás, a repetição dos seus governos passados, que é iludir os miseráveis com bolsa família e a classe média com crédito fácil. Simultaneamente, o retorno à linha de “agradar” a “avenida Paulista” (leia-se empresariado) para não ter o “stablishment” contra o governo.
Lula comanda a pressão para o anuncio de medidas mirabolantes, fazendo o que sempre fez no poder: explodir expectativas e ilusões, que endividam o país.
Observe-se que a estratégia não é voltada apenas para os mais pobres.
Busca também satisfazer os empresários, a fim de silenciá-los, através da liberação de dinheiro subsidiado no BNDES, ou outros bancos oficiais, em projetos “de poucos beneficiários”, que não geram empregos diretos, nem aumento de renda coletivo, além de assegurar o usufruto de incentivos, isenções e benefícios de toda ordem.
Percebe-se que o PT implantou no país dois tipos de “bolsa: a família para os de baixa renda (ou sem renda) e a “bolsa BNDES e bancos oficiais”, que sob o pretexto de incentivar o crescimento (!!!!) da economia, privilegia “escolhidos” na área empresarial.
A cooptação foi de tal ordem, que há casos de entidades de representação empresarial, agasalhando em seus quadros dirigentes, “ex-companheiros” militantes do petismo, que no passado dirigiram entidades de classe notoriamente radicais.
Com esse cenário, só restará implorar, em uníssona oração, que em 2016 “Deus salve o Brasil!".
Ney Lopes – ex-deputado federal; procurador federal, ex-presidente do Parlamento Latino-Americano, jornalista e professor de Direito Constitucional. – nl@neylopes.com.br – www.blogdoneylopes.com.br
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