terça-feira, 1 de março de 2016

Escândalos simbolizam que Brasil derrotará corrupção, diz revista canadense



As notícias diárias sobre escândalos reforçam internacionalmente a imagem de que o Brasil é um país totalmente corrupto. Segundo uma revista canadense especializada em direito e negócios, as coisas não são bem assim, e este é um momento histórico em que o país está se mobilizando para mudar está má fama, e derrotar a corrupção.
“Sim, o Brasil descobriu corrupção envolvendo grandes empresas estatais e políticos em altos cargos. Mas especialistas jurídicos dizem que o país está prestes a derrotar a corrupção com novas leis e regras detalhistas'', explica a edição mais recente da “InHouse'', revista editada pela Reuters no Canadá.
A publicação brinca com o estereótipo de país corrupto logo no início da reportagem: “Bem-vindos ao Brasil. O clima é belo. As passoas são amigáveis. Os negócios são corruptos. Corruptos? Claro. Pelo menos é o que se percebe na contínua cobertura da mídia sobre o país sul-americano (…). Mas esta não é toda a história. Na verdade, muitos dizem que esta imagem está longe de ser correta'', explica.
Ao longo da reportagem, a “InHouse'' explica o desenrolar da Operação Lava Jato, e deixa claro que há um impacto imenso da corrupção na realidade política e econômica do país. O otimismo da análise vem da perspectiva histórica sobre a situação atual do país.
“O progresso pode causar bagunça'', diz, alegando que o Brasil deixou de ser uma ditadura apenas em 1985, e que desde então o país desenvolveu um sistema mais sofisticado de controlar o sistema e evitar ilegalidades. É preciso reconhecer os desafios, mas o país parece estar trabalhando no sentido de superá-los, argumenta.
Este posicionamento se alinha à perspectiva externa de muitos brasilianistas, pesquisadores estrangeiros que analisam a realidade do país de forma objetiva, de fora para dentro. Alguns destes acadêmicos indicam que é preciso analisar a evolução do Brasil em uma perspectiva histórica mais longa, avaliando os avanços de décadas, e sem se apegar apenas ao momento atual.
A questão, para estes analistas, não é negar os problemas do Brasil, mas olhar para o passado, ver o quanto se avançou, e pensar na perspectiva futura de forma otimista. Anthony Pereira, diretor do Brazil Institute do King's College London, já fez comentário parecido em entrevista ao blog Brasilianismo. O pesquisador americano Riordan Roett, um dos mais importantes estudiosos da política brasileira no exterior tem opinião semelhante – de que o momento do Brasil é de descer ladeira abaixo, mas país vai sobreviver. Até mesmo um editorial do “New York Times'' defendeu tese parecida: “É o começo de um novo Brasil'', diz, explicando que há um forte sentimento de combate à corrupção aliado a fortes bases democráticas, que podem trazer um futuro positivo para o país.
Otimismo é a tônica da reportagem canadense, que encerra dando dicas para que empresas do país que têm negócios no Brasil cuidem para seguir as regras do país. A mudança, explica a publicação, não afeta apenas a realidade brasileira. “As medidas anticorrupção se aplicam a qualquer e todo negócio no país, incluindo o de empresas canadenses com operações no Brasil'', diz.
Daniel Buarque
Escândalos simbolizam que Brasil está derrotando a corrupção, diz revista canadense

No alvo errado

EM VEZ DE RESPONDER, LULA SE ESCONDE
Já virou um procedimento de rotina para o ex-presidente Lula e todo o seu sistema de apoio, nessa miserável cachoeira de suspeitas que não para de jorrar em torno dele. Em vez de apresentar um mínimo de fatos capazes de atestar que é um homem decente, e afastar pelo menos o grosso das desconfianças que construiu em torno de si próprio, o principal líder político do Brasil se escondeu de novo. Deveria responder a algumas perguntas num fórum criminal de bairro em São Paulo — coisa que qualquer cidadão com a vida em ordem seria capaz de fazer sem o menor problema. Mas não. De tudo o que podia fazer de ruim, escolheu o pior: simplesmente não foi ao interrogatório, aproveitando-se de um desses truques burocráticos que a Justiça brasileira oferece a toda pessoa que tem dinheiro, influência e advogados suficientes para impedir que a lei se aplique a ela. Por que não foi? Pelo mesmo motivo, exatamente, que o manteve de boca fechada, até agora, em relação a tudo o que vem sendo dito sobre sua conduta: não consegue dar, nem com a assistência dos mais distintos criminalistas do país, uma única resposta que possa ser levada a sério sobre os benefícios pessoais inexplicáveis que vem recebendo de empreiteiras de obras públicas.
Resolve alguma coisa? Não resolve. As perguntas só irão embora no dia em que forem respondidas. Lula, o PT e o seu mundo ganharam mais algum tempo; em compensação, o ex-presidente vai tomando cada vez mais indiscutível sua reputação como homem que foge da raia. Parece que estão tentando botar de pé, na sua usina de marketing, a imagem de Lula como um novo “Cassius Clay”, o boxeador que passou nas cordas toda uma de suas lutas mais célebres — até reagir e mandar o seu adversário para a lona. Há um problema complicado com essa comparação: Cassius Clay só ganhou porque compareceu ao ringue no dia marcado para a disputa. Mas a regra número 1 para Lula é sumir: em vez disso, acusa os adversários. Neste último episódio, sua tropa falou de “linchamento”, tentativa de “impedir” sua candidatura à Presidência em 2018, guerra da elite ao seu “legado” e o resto da ladainha de sempre. É como se Clay, em vez de subir no tablado, ficasse xingando George Foreman lá no meio da plateia. Parecem ter esquecido que não estão numa campanha eleitoral, e sim diante da Justiça penal — não adianta enganarem o eleitorado, pois quem precisa acreditar no que dizem é o juiz. Estão atirando no alvo errado.
A fuga permanente de Lula não chega a piorar sua imagem junto aos milhões de brasileiros que, já faz muito tempo, desistiram de acreditar nele. Seu problema, a partir de agora, parece ser com os outros milhões que são seus eleitores, simpatizantes e irmãos de fé — essa multidão de gente sem rosto, sem nome e sem triplex que vota nele, briga por sua reputação e não ganha nada com isso. Lula sempre achou que esse povo engole tudo; tem uma credulidade e uma paciência sem limites. Vai continuar assim para sempre? Diante das perguntas a que seu líder não responde, talvez comece a perder o interesse em ouvir Lula falando pela milésima vez no “legado”, no “operário” que cuida dos pobres, na boa fortuna que trouxe a eles. Pode estar se enchendo com as histórias de que Lula é importante para “o futuro do mundo”, ou que a “elite” inventa todas as acusações contra ele. Tudo bem, mas não é isso que essas pessoas estão perguntando hoje, nas viagens de três horas até o trabalho ou na procura do emprego que perderam. Querem saber a troco de que empresas pagam reformas caríssimas no sítio que Lula “frequenta” — um lugarzinho meia-boca, segundo diz agora o seu estado-maior, mas que para 99% dos brasileiros é um sonho que não vai se realizar até o fim da sua vida. Por que manda para um sítio que não é dele uma mudança com 200 caixas? Por que lhe pagam uma cozinha de 130 000 reais, mais do que vale uma casa inteira no Brasil real? Por que a empresa de telecomunicações que ganhou do ex-presidente um favor “top de linha” instalou uma torre de celular ao lado do bendito sítio? Por que seus filhos moram de graça? Por que sua vida é cercada pelos quatro cantos por empreiteiras de obras públicas — e estaria certo Lula receber tanto dinheiro delas?
Lula vem fracassando dia após dia na batalha para mostrar que não está escondendo nada, como acaba de comprovar mais uma vez com sua recusa em responder a perguntas do promotor público. O que pretenderia, então? Passar assim o resto da vida?
27/02/2016 às 13:44 \ Opinião J. R. Guzzo:
Publicado na versão impressa de VEJA Já virou um procedimento de rotina para o ex-presidente Lula e todo o seu sistema de apoio, nessa miserável cachoeira
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O sacerdote que se pretendia intocável foi desmascarado

Às vezes nossos desacertos se acertam com os do mundo e algo bom acontece: no aniversário de 36 anos do PT, quem comemora é o Brasil que presta.
Gosto de ler jornais e revistas velhos. Os astrônomos dizem que estamos vendo o céu de 2012. Li isso em janeiro numa revista científica de julho do ano passado, lá no dentista. Paciente dele há décadas, o doutor mantém as revistas antigas por afetuosidade. Uma bobagem, não? Mas essas coisas – à toa assim, despretensiosas e simbólicas, indeléveis na sua delicadeza – são o ninho do afeto.
Que Brasil é este que vemos no 36º aniversário do PT? Todos os índices mostram um país que regrediu, em muitos fundamentos econômicos e sociais, para níveis dos anos 90; o descalabro fiscal do governo ladrão e inepto, somado aos vícios estruturais, levou não somente à diminuição da produção de riqueza como à corrosão da riqueza produzida; a Lei de Responsabilidade Fiscal foi morta pelas pedaladas de Dilma Rousseff devolvendo o Estado à pré-história republicana.
Saúde e educação não escaparam do sucateamento, nem a infraestrutura e a segurança pública no que também compete ao governo federal. A política externa inovou, avançando no primitivismo: nunca estivemos tão resolutamente do lado de bandidos internacionais. Os pastores do atraso tiveram em Lula – o farsante que dissimulava a essência primitiva na aparência do operário que revolucionaria o país – o sacerdote ideal e fizeram o diabo para protegê-lo para, assim, também proteger os próprios desejos, negócios, amantes, famílias, caprichos e o vidão, afinal, ninguém é de ferro.
A proteção exigiu a cópula ininterrupta entre o público e o privado nesse viveiro repugnante para a constante geração de mentiras; disfarçou-se em devoção à causa tão delinquente que, alegadamente pelo nosso bem, só se nutriu do nosso mal. A aparência do sacerdote era a imunização contra a lei, as críticas, a luz e a verdade. Na clivagem vigarista da nação entre nós e eles, no discurso de ódio aos opositores tolerado pelos que agora se levantam contra o “ódio fascistoide da nova direita”, no financiamento do JEG, no mensalão, nas negociatas com antigos inimigos políticos, na desinstitucionalização da república, o jeca atrofiou a nossa incipiente política de tal modo que ela não o detivesse.
Assim, coube à Justiça revelar a essência do sacerdote miserável àqueles que ainda acreditavam na aparência e impor aos comparsas dele a abolição da farsa que patrocinaram. A Lava Jato e as investigações que chegaram ao sítio e ao tríplex educam uma geração inteira ao colocar na cadeia delinquentes com poder político e econômico e desmascarar o sacerdote que se pretendia intocável, coisa impensável desde sempre: desacertos nossos tão singulares que, a partir deles, nos acertamos com o mundo civilizado saltando para um futuro que sempre pareceu utópico.
Isso melhora o país submetido ao retrocesso que lhe custará um bocado do futuro. Enquanto o Brasil que presta deve comemorar o novo patamar civilizatório, o PT, na festa tristonha, comemora o anúncio da PF de que investigará as inúteis confusões íntimas de Mirian Dutra. A nação esbulhada pode deixar o passado para trás; o PT, desesperado por um passado incessante, asfixia-se.
28/02/2016 às 10:22 \ Opinião Valentina de Botas: 
VALENTINA DE BOTAS Às vezes nossos desacertos se acertam com os do mundo e algo bom acontece: no aniversário de 36 anos do PT, quem comemora é o Brasil
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De que foge Lula

DE QUE FOGE LULA?
Diante da montanha de evidências de que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode ter se beneficiado pessoalmente de suas relações com as maiores empreiteiras do país, é justo esperar que o capo petista venha a público prestar os devidos esclarecimentos. Afinal, a “viva alma mais honesta deste país” decerto não teria nenhuma dificuldade para dissipar as suspeitas a respeito de sua conduta.
Mas Lula decidiu refugiar-se no silêncio. As únicas manifestações em seu nome partem quase sempre do Instituto Lula, que instituto não é, pois funciona como assessoria de imprensa e escritório político do ex-presidente. E essas manifestações, geralmente furibundas, limitam-se a negar as acusações e a disparar impropérios contra aqueles que, segundo a tigrada, invejam as conquistas desse grande homem e o bem que ele fez ao país.
Lula mesmo não fala, e até seus apoiadores, quando ousam tocar no assunto, na esperança de ouvir dele sua versão dos fatos e assim orientar-se sobre o que dizer quando questionados, recebem como resposta resmungos indignados. Em recente reunião do PT, ele se queixou: “Não aguento mais falar disso”.
Os atos de Lula, porém, valem mais do que mil palavras. Sem ter como justificar os imensos favores que recebeu das empreiteiras camaradas, pois qualquer explicação que ele der terá de vir acompanhada de documentos, ao ex-presidente restaram as chicanas mais ordinárias. A mais recente foi o ataque ao promotor Cássio Roberto Conserino, do Ministério Público Estadual, que chamou Lula e sua mulher, Marisa Letícia, para depor sobre o misterioso triplex do Guarujá totalmente reformado pela construtora OAS e cuja propriedade se atribui ao petista. A coisa toda respeitou o bem conhecido padrão de comportamento do ex-presidente. O nome de Lula, como sempre, não aparece em nenhum lugar – há sempre uma interposta pessoa a fazer o serviço que lhe convém. No caso do promotor Conserino, quem fez esse serviço foi o deputado petista Paulo Teixeira (SP).
Às vésperas do depoimento de Lula e Marisa Letícia, marcado para o dia 17/2, Teixeira entrou com uma representação no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) alegando que o promotor Conserino havia transgredido a Lei Orgânica do Ministério Público ao supostamente antecipar juízo de valor sobre o caso em entrevistas à imprensa. Além disso, o deputado argumentou que o processo deveria ter sido distribuído a um outro promotor, que já cuida de uma investigação semelhante.
Em caráter liminar, o CNMP aceitou os argumentos de Teixeira e adiou o depoimento. Foi uma decisão excêntrica, antes de mais nada porque o deputado Teixeira nem é parte no processo e, por razões óbvias, não poderia ter ingressado com a representação.
Dias depois, os advogados de Lula protocolaram requerimento no CNMP em que apoiavam a representação de Teixeira, mas a liminar acabou derrubada por unanimidade pelo plenário desse órgão, por sua evidente fragilidade. O imbróglio, no entanto, dá pistas de qual será a estratégia lulopetista para criar embaraços técnicos ao processo e, assim, livrar Lula da obrigação de falar. A ideia é questionar a conduta dos que acusam o ex-presidente, sem enfrentar o mérito das acusações. Os advogados do petista, por exemplo, já avisaram que também vão reclamar ao CNMP e ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, a respeito do comportamento dos procuradores do Distrito Federal em inquérito que apura se Lula cometeu tráfico de influência. É, portanto, um método.
Enquanto isso, nem a defesa de Lula nem os petistas que lhe servem de títeres fornecem qualquer explicação concreta a respeito das caríssimas benfeitorias bancadas pelas empreiteiras companheiras no apartamento do Guarujá e também no sítio de Atibaia, aquele para o qual o chefão petista enviou sua mudança quando deixou a presidência, mas que ele jura que não lhe pertence.
Não será surpresa se, para justificar tanto mimo da parte de empresas enroladas no Petrolão e o usufruto de imóveis que não constam de sua declaração de renda, Lula acabe dizendo apenas que tem bons amigos – e amizades puras como essas, afinal, dispensam a apresentação de provas à Justiça.
29/02/2016 às 16:30 \ Opinião Editorial do Estadão:
Publicado no Estadão Diante da montanha de evidências de que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode ter se beneficiado pessoalmente de suas
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O que o Príapo da república pixuleca teme é a nossa liberdade

“Se for necessário, se vocês entenderem que a manutenção do projeto corre risco, estarei com 72 anos e tesão de 30 para ser presidente da República”. Como Hilda Hilst, quero brincar de ver beleza nas coisas, numa resistência ao vício do jeca em enfear tudo com esse priapismo vigarista.
“Vocês” se refere à escumalha militante no aniversário flácido do PT; o caudilho não se importa com o tesão da nação, se ela está no clima ou não. E ela não está. Ou está sim, mas não com o fauno grotesco. O “não” que ela tem lhe dito, traduzido em pesquisas e que temos de reafirmar no dia 13 de março, soa como charminho golpista para o macho mais incivilizado da história da política brasileira. Claro, ele só satisfaz as deformações da libido autoritária no primitivismo, pois dar no couro como democrata que é bom, esqueça.
Julga o estado de direito democrático uma preliminar dispensável, de tal modo que a tentativa de bolinar a Polícia Federal via Ministério da Justiça, as espertezas para não encarar o procurador Cassio Conserino e as ameaças transmitidas por eunucos morais de convulsionar o país se a Justiça cumprir o dever evidenciam não só a impossibilidade de atestar uma honestidade fictícia, mas sobretudo a percepção do jeca como alguém cuja conduta não há parâmetro ou ser terrenos ou divinos dignos de avaliar.
É mais do que estar acima da lei, nessa condição se pretendem Cunha, Calheiros, o casal marqueteiro – ao Priapo da república pixuleca sequer ocorreu que um dia seria necessário invocar o status que acredita inerente. Não sei que parte do “não” ele ainda não entendeu, mas a nação pode deixar ainda mais claras a consoante e as duas vogais no dia 13.
Não é só pelo fim de um governo cuja remoção é indispensável para o Brasil se reconstruir, ter a si como assunto e projeto, é também pela defesa das investigações, da Política Federal, do Ministério Público, contra o qual Lula tenta um estupro bolivariano enquanto mente que “lutamos” para tê-lo forte, “e não fazendo o jogo da Veja”. Ora, o jogo da revista é o do país que presta, como no fundo sabem ressentidos que apregoam, nas redes sociais, uma súbita sedução da revista pelo PT e convencem gente chegada a uma conspiração de boteco virtual.
Pesquisas mostram que Eduardo Cunha na presidência da Câmara desanima muitos brasileiros a irem para as ruas defender o impeachment, numa lógica desossada determinando que, por não se remover um patife menor, preserva-se o maior; além do tal não-adianta-nada. Por favor, não há mais território para esses medos e, conforme ensinou Nietzsche, do outro lado do medo está a liberdade. O que o jeca teme é nossa liberdade, é descobrirmo-nos livres – apesar de Cunha e do que mais for – para brincar de ver a beleza em mandar para a cadeia um garanhão tosco de alma senil porque para ele (parafraseando Roberto Freire), com ou sem tesão, não há solução. Um beijo.
01/03/2016 às 7:49 \ Opinião Valentina de Botas:
VALENTINA DE BOTAS “Se for necessário, se vocês entenderem que a manutenção do projeto corre risco, estarei com 72 anos e tesão de 30 para ser
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É tarde pra mudar o chefe da Polícia Federal

O troca troca na cúpula da justiça federal só aumenta o desgaste de um governo fraco.
A presidente trocou o ministro da Justiça, o controlador-geral (que responde por acordos de leniência firmados com as empresas corruptoras), e vai trocar também o chefe da Polícia Federal.
O motivo é conhecido. As investigações da Lava-Jato e da Zelotes (que apura compra de perdões de dívida tributária e venda de medidas provisórias) se aproximam da família Lula da Silva.
O ex-presidente, que nunca foi muito amigo do agora ex-ministro José Eduardo Cardozo, elevou ao grau máximo as pressões junto à presidente.
Conseguiu mexer na cúpula do executivo.
Faltou combinar com:
1) a corporação. A equipe da PF já a par dos dois braços de corrupção do governo é enorme.
2) o poder judiciário. A justiça do Paraná, magistrado Sérgio Moro à frente, vai deixar barato? Pra não falar do Tribunal de Contas, do Tribunal Superior Eleitoral nem do Supremo.
3) os promotores. O Ministério Público, cada vez mais forte institucionalmente, também é “imexível”.
4) os governos dos Estados Unidos, da Suíça, da Grã-Bretanha, da Alemanha e de outros PIBs menores. Os acordos internacionais de cooperação e troca de dados vieram pra ficar.
O ex-presidente Lula, que tanto gosta de futebol, sabe porque o idoso José Maria Marin, ex-governador de São Paulo e cartola de longa data, foi preso na Suíça e extraditado para os Estados Unidos.
Por causa dos acordos entre os países, que tornaram mais difícil a brincadeira da corrupção e da lavagem de dinheiro.
Ok, todos estamos cientes de que as mudanças no primeiro escalão foram tomadas em desespero de causa.
Medo, medo, medo.
Mas se trata de trabalho perdido.
É a globalização, estúpido.

Delegados da PF prometem resistir às pressões

Em nota divulgada nesta segunda-feira, a Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal reagiu à troca de comando no Ministério da Justiça. No texto, a entidade diz ter recebido com “extrema preocupação” a notícia de que a troca de comando na pasta foi provocada por “pressões políticas” exercidas com o propósito de controlar os trabalhos da Polícia Federal.
Os delegados federais anotaram que “defenderão a independência funcional para a livre condução da investigação criminal.” Prometem adotar “todas as medidas para preservar a pouca, mas importante, autonomia que a instituição Polícia Federal conquistou.”
De resto, a entidade que representa a corporação dos delegados federais aproveitou a movimentação para retomar sua pregação em favor da formalização da autonomia funcional e financeira da PF. Deseja-se inserir essas prerrogativas na Constituição. Algo que é controverso e que depende de aprovação do Congresso Nacional. Abaixo, a íntegra da nota da ADPF:
Os Delegados da Polícia Federal receberam com extrema preocupação a notícia da iminente saída do Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, em razões de pressões políticas para que controle os trabalhos da Polícia Federal
Os Delegados da Polícia Federal receberam com extrema preocupação a notícia da iminente saída do Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, em razões de pressões políticas para que controle os trabalhos da Polícia Federal.Os Delegados Federais reiteram que defenderão a independência funcional para a livre condução da investigação criminal e adotarão todas as medidas para preservar a pouca, mas importante, autonomia que a instituição Polícia Federal conquistou.
Nesse cenário de grandes incertezas, se torna urgente a inserção da autonomia funcional e financeira da PF no texto constitucional.
A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal permanece compromissada em fortalecer a Polícia Federal como uma polícia de Estado, técnica e autônoma, livre de pressões externas ou de orientações político-partidárias.Contamos com o apoio do povo brasileiro para defender a Polícia Federal.“