quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

5 dicas de um treino de elite para o corredor amador

Aprender com os melhores corredores de longa distância parece ser uma boa ideia quando falamos de treinamento de corrida, resistência, recuperação e alimentação para ir além na quilometragem. Dicas de treinamento dos corredores de elite podem ser bem valiosas para os amadores, afinal, eles têm rotinas de treino bem específicas para render bem no esporte.
 
Um estudo nórdico comparou programas de treinamento de corrida de diferentes profissionais de longa distância. E com base nisso, o pesquisador-chefe deu algumas dicas que todo corredor amador pode adaptar para seus treinos.
Seja você amador ou corredor de elite, é preciso prestar atenção a três variáveis quando o assunto é treinamento de corrida: quanto você corre, quão forte você treina e com qual frequência você treina. Confira as dicas de treinamento de corrida para você virar um amador forte e correr como nunca:
 
1. Ajuste constante nas planilhasAlgumas estratégias de treinamento de corrida, como treino de velocidade e intervalados, são essenciais para alcançar melhores tempos. No entanto, o corpo se habitua ao esforço e, com o tempo, você pode atingir um “teto” ou simplesmente ficar cansado de realizar a mesma planilha de sempre. É a hora de ajustar o tipo de treino que você tem feito. É importante para o corpo se desafiar com novo padrão de treinamento.
 
2. Volume de treinamentoCorra muito, mas em um ritmo mais lento, para ser um atleta de endurance. Um corredor de elite de longas distâncias corre, em média, de 120 a 260 km por semana. Leif Inge Tjelta, professor que liderou a pesquisa da  University of Stavanger,  comparou os resultados de muitos estudos que analisaram métodos de treinamento adotados por eles. De 70% a 90% por cento de todos os treinos dos corredores de elite foram focados em corridas longas e de baixa intensidade.
“A maior parte do treinamento de corrida envolve longas distâncias a um pace confortável, sem intervalos. São corridas que duram de 50 minutos até várias horas”, disse o pesquisador.
Isto, em parte, contrasta com os resultados anteriores que demonstravam que atletas bem treinados são aqueles que corriam a uma intensidade de frequência cardíaca bem mais alta. Então, invista em treinos de rodagem para ir mais longe nas corridas.
3. Zonas de treinamentoQuando os corredores de elite montam seus planos de treinamento, eles têm que decidir o volume semanal e quantos exercícios de alta intensidade devem incluir. A chave aqui é controlar a intensidade dos treinos (o que reflete o quão duro seu coração tem que trabalhar para bombear sangue para os músculos): 
  • Zona 1: a primeira zona de treinamento, a mais fácil, é aquela em que treinamos por longos períodos de tempo e a frequência cardíaca fica entre 62% e 82% da frequência cardíaca máxima. 
  • Zona 2: chamada de zona de limiar anaeróbio, é a maior velocidade que você pode manter por cerca de uma hora. Aqui, sua freqüência cardíaca está entre 82% e 92% do seu máximo. 
  • Zona 3: nela, a freqüência cardíaca está entre 92% e 97%. Isso incluiria intervalos mais intensivos com menos repetições e períodos de descanso um pouco mais longos entre eles.
Tjelta descobriu que os corredores de elite evoluíram bastante ao incluir, semanalmente, dois a quatro treinos na zona dois e uma ou duas sessões na zona 3. Essas três zonas são todas consideradas aeróbicas; isso significa que seu coração é capaz de bombear sangue suficientemente rico em oxigênio para seus músculos. Um treino bastante usado para trabalhar esse limiar é fazer repetições da distância total da corrida em ritmo de prova. Esse método trabalha o VO2 máximo e o limiar de lactato.
Por exemplo: você vai correr 10km e quer treinar o ritmo de prova. Faça três repetições de 3,3 km no ritmo que quer correr, com 5 a 7 minutos de recuperação entre cada um. Assim, o esforço mental é parecido com o que acontece durante uma prova de 10km.
Pode parecer simples no primeiro trecho, mas no terceiro seu cérebro e seu corpo precisam estar totalmente envolvidos para terminar. Se o atleta conseguir executar as três repetições no ritmo alvo (ritmo de prova), ele se sentirá confiante para manter esse ritmo no dia da corrida. 
  • Zona 4: é nela que as coisas ficam mais sérias. Neste ponto, o corredor está trabalhando tão duro que o coração não consegue mais bombear sangue oxigenado suficiente. O corpo, em seguida, conta com um sistema anaeróbio para fornecer energia suficiente para alimentar os músculos que estão trabalhando forte. Neste estado, o organismo não consegue manter o esforço por muito tempo; as pernas pesam e os músculos ficam mais tensos.
O treinamento de corrida indicado são as chamadas corridas de progressão, que começam confortavelmente e ficam mais rápidas. Esse tipo de trabalho faz o atleta manter a velocidade e o ritmo quando está cansado.
Quer tentar o desafio? Depois de 10 a 20 minutos de aquecimento, corra de 20 a 60 minutos, começando com 20 a 30 segundos mais lento do que o ritmo de tempo-run (treino baseado no ritmo da prova alvo do atleta) e aumentando 5 segundos por quilômetro, em intervalos de cinco a 15 minutos. 
  • Zona 5: é reservada para sprints curtos e treinamento de agilidade.
Adicione de 5 a 8 tiros ao fim dos treinos. Corra de 60 a 100 metros, acelerando gradualmente para cerca de 85% da sua velocidade máxima. Então, desacelere no terço final. Caminhe por 90 segundos para recuperação. Repita mais uma vez. Faça isso uma ou duas vezes por semana, dentro da planilha de treinamento.
 
4. Varie os terrenos: corra na grama ou na areiaTreino na grama ou na areia fortalece o sistema cardiovascular, tendões e ligamentos, constrói músculos mais estáveis e amortece as articulações. É por isso que os corredores de elite treinam repetições (zonas quatro e cinco) em pista de grama. Eles não podem correr tão rápido quanto na pista ou na rua, por isso têm que manter o máximo controle sobre passada, ritmo, etc.
 
5. Distância, a grande questãoO pesquisador-chefe enfatizou na conclusão da pesquisa que a corrida deve evoluir gradualmente e que atletas de elite têm, sim, muito a ensinar, mas suas rotinas de treinamento de corrida são bem específicas – por isso, a importância de um treinador, para saber o que você precisa para evoluir nas longas distâncias.
“Não dá para começar com uma maratona. Você precisa trabalhar seu corpo pouco a pouco, km a km, para que ele aguente longas distâncias e consiga lidar com tanto esforço”, recomenda Leif Inge Tjelta.
 
A ideia é sair do padrão de treinamento de corrida para ganhar fôlego e velocidade, e variar a rotina para evoluir nas longas distâncias. Basta encontrar um treino com o qual você se identifique e ajustá-lo de tempo em tempo para que ele sempre funcione.  Bons treinos e divirta-se!
https://www.ativo.com/corrida-de-rua/performance/treinamento-de-corrida-amador-elite/

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Corrida ajuda a desenvolver o cérebro, diz pesquisa

Muitas pessoas que correm com frequência dizem ter pensamentos interessantes durante o exercício: ideias surgem, memórias são resgatadas e planos, organizados quase que instantaneamente. Agora, um um estudo de neurocientistas vem explicar que nada disso é mera impressão. A pesquisa, publicada pelo periódico “Frontiers in Human Neuroscience", descobriu que corredores que competem longas distâncias mostram conexões cerebrais diferentes daquelas apresentadas por pessoas saudáveis, mas sedentárias. Essas conexões foram identificadas em áreas do cérebro conhecidas por ajudar na cognição sofisticada: memória de trabalho, capacidade multitarefa, atenção, tomada de decisão e processamento de informações sensoriais.
Os resultados sugerem que quem pratica o esporte com frequência tende a ter maior interação entre partes do cérebro dedicadas à cognição e ao foco mental, afirmam os pesquisadores da Universidade do Arizona que conduziram o estudo.
A comunidade científica já sabe há algum tempo que atividades como ginástica e badminton afetam de forma positiva a cognição. No entanto, a corrida nunca havia sido considerada, até agora, um esporte que exigisse muito do cérebro.
— Nosso estudo mostra que correr pode não ser uma atividade tão simples, afinal de contas — diz Gene Alexander, professor de Psicologia e Neurologia da Universidade do Arizona. — Correr requer habilidades de navegação complexas, além de uma capacidade de planejar, monitorar e responder ao ambiente, e continuar com todas as atividades motoras sequenciais de execução, que são, elas próprias, complicadas.
SÓ HOMENS FORAM AVALIADOS
Na pesquisa, os cientistas receberam aleatoriamente 11 voluntários que são corredores universitários e outros 11 que disseram não terem se exercitado no último ano. Todos os participantes foram homens, e os cientistas justificaram a escolha alegando que os efeitos do ciclo menstrual nos cérebros das mulheres poderiam afetar os resultados.
Os pesquisadores fizeram ressonância magnética em cada participante para medir os níveis de atividade cerebral e descobriram que os cérebros dos corredores exibiam conexões diferentes em relação aos dos sedentários, e essas conexões envolviam áreas necessárias para um pensamento de nível mais sofisticado.
Os autores ponderam que o estudo não prova que a corrida tenha sido a única causa dessas diferenças, mas, sim, que os corredores desenvolveram certos padrões de pensamento.
http://oglobo.globo.com/sociedade/saude/corrida-ajuda-desenvolver-cerebro-diz-pesquisa-20718728

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Descubra os prejuízos de ficar algumas semanas sem treinar e o que fazer para minimizá-los

Festas, viagens, recesso da assessoria esportiva, poucas provas no calendário, calor… No final de dezembro e começo de janeiro surgem diversos empecilhos que dificultam seguir firme nos treinos. Ok, descanso também faz parte da vida de um corredor e você até pode dar uma folga para seus tênis uma semana ou outra. Só procure não ficar completamente parado por muito tempo. Você corre o risco de perder grande parte do que conquistou durante meses e meses de treinamento.
OS PREJUÍZOS DO DESTREINAMENTOAs perdas clássicas – e mais visíveis – de alguém que fica duas ou três semanas sem correr são o aumento de gordura corporal e diminuição da massa magra. Mas os prejuízos vão bem além do que você pode enxergar no espelho. “A maioria das pesquisas relata que a partir de 15 dias sem atividade física inicia-se uma redução significativa de força muscular e resistência aeróbica”, afirma Moisés Cohen, ortopedista, traumatologista, médico do esporte e diretor do Instituto Cohen, em São Paulo.
Essa queda no condicionamento aeróbico (ou seja, do seu fôlego) acontece devido à diminuição do VO2 máx. (quantidade de oxigênio que o organismo absorve a cada respiração). “O intervalo no treinamento reduz a quantidade de enzimas celulares que geram energia ao entrar em contato com o oxigênio”, explica Paulo Zogaib, fisiologista e professor de Medicina do Esporte da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Em apenas duas semanas sem fazer exercícios, seu VO2 máx. cai aproximadamente 5%, o que representa uma piora de mais de 10% no desempenho na corrida. Na prática, uma pessoa que corre 10 km em 1h passa a fazer o mesmo percurso entre 1h06min e 1h10min.

NÃO FIQUE PARADONem todo mundo quer largar a família ou os amigos num quarto de hotel e sair para correr durante as férias. Mas você pode  investir de 20 a 30 minutos nessas atividades para minimizar a perda de condicionamento.
Caminhada na areia Caso vá para a praia, aproveite para andar (ou trotar) na areia fofa. Ao movimentar-se no terreno instável, você precisa fazer um bom esforço físico para tirar o pé do chão. Isso queima calorias e desenvolve equilíbrio e propriocepção. Frescobol, stand up paddle e caiaque são outras boas opções para manter os músculos ativos.
Vôlei na piscina (biribol) A turma vai passar uns dias no sítio? Então, esse jogo não pode faltar! “A própria dinâmica do esporte provoca o aumento da velocidade de reação. Já o ambiente instável da água ajuda a trabalhar a coordenação”, garante Diego Lopez, educador físico e diretor técnico da Trilopez Assessoria Esportiva, em São Paulo.
Exercícios com peso do corpo Movimentos como flexão de braços, agachamento e barra fixa podem ser feitos em qualquer lugar e são ótimos para manter sua musculatura ativa. “Esses exercícios tendem a trabalhar várias partes do corpo ao mesmo tempo”, indica Marcello Affonso, educador físico e diretor técnico da Personal Club Assessoria Esportiva, em Salvador. Outra opção que dispensa equipamentos é fazer saltos ou sprints com mudanças de direção (se for na areia fofa, melhor ainda!). “Eles ajudam a melhorar a coordenação, agilidade, potência muscular, o ritmo e, por consequência, o desempenho na corrida”, destaca o treinador Marcelo Affonso.
Fartlek geográfico Se você vai passar férias em um lugar com muitas trilhas, aproveite a geografia do local para tornar caminhadas em atividades físicas um pouco mais exigentes. Dê sprints sempre que tiver um morro, uma escadaria ou um obstáculo pela frente. Depois, diminua o passo para esperar a turma. “Devido à grande variação de intensidade, você irá trabalhar os músculos e os sistemas aeróbico e anaeróbico”, diz Affonso. “Nesse período de férias, o mais importante é escolher uma atividade que traga bem-estar físico e mental para você. Assim, quando retomar os treinos, você vai estar descansado, com apetite para voltar a correr e encarar a rotina”, finaliza Diego Lopez.

AJUSTE O CARDÁPIO
Sim, é difícil seguir a dieta diante das inúmeras tentações que há em festas de fim de ano, cafés da manhã no hotel, petiscos na praia… Para evitar que tudo isso faça você voltar aos treinos com muitos quilos a mais, siga nossas dicas. Elas foram elaboradas com ajuda de André Pellegrini, nutricionista em São Paulo.
– Priorize o consumo de proteínas O nutriente é essencial para a manutenção da massa magra e garante saciedade por tempo prolongado. Prefira peixes assados, frango, peru, lombo suíno e os cortes bovinos sem muita gordura (patinho, filé-mignon, alcatra).
– Economize nos carboidratos O nutriente aumenta a glicemia (quantidade de açúcar no sangue), o que estimula a produção de insulina. Esse hormônio incentiva o acúmulo de gordura abdominal. Portanto, nada de devorar pratadas de arroz, macarrão, lasanha, pães. Pegue o suficiente para matar sua vontade e sacie a fome com proteínas, legumes e verduras.
– Use o método da compensação, mas sem exageros Por exemplo, se a sobremesa for imperdível, zere o carboidrato do prato principal. Ou, se abusar no churrasco no almoço, faça um jantar bem leve. Pode ser um suco verde, um smoothie com iogurte desnatado e morangos ou uma salada pequena com peixe grelhado.
– Mantenha o whey protein, mesmo sem treinar Se você é acostumado a usar o suplemento, ele pode ser um grande aliado. Diversos estudos mostram que pessoas com sobrepeso tiveram melhores resultados de emagrecimento ao consumir o produto, quando comparadas a quem não o tomou. Isso porque, o whey é rico em proteínas, que garantem saciedade. Beber o suplemento à noite ainda vai favorecer a produção de GH. Esse hormônio estimula a produção de massa magra e a queima de gordura.
http://www.suacorrida.com.br/treino-finisher/boa-forma-nas-ferias/

domingo, 25 de dezembro de 2016

As melhores aulas de academia para corredores

Corredores de rua, quase por essência, não gostam de treinar em ambientes fechados. Não à toa, escolheram praticar um esporte ao ar livre. Mas há aulas de academia que trazem benefícios aos atletas do asfalto por fortalecerem e desenvolverem músculos que ajudam a evitar lesões e diminuir o desequilíbrio muscular causado pela corrida.
Por mais que possa parecer chato, dê uma chance ao treino dentro de salas – especialmente a essas aulas que selecionamos – e colha benefícios quando for correr na rua.
Pilates
O fortalecimento das musculaturas profundas e estabilizadoras da região abdominal é o principal benefício aos corredores da aula de pilates, indicada a quem busca uma atividade que também pode ser mentalmente relaxante. A prática aumenta a consciência corporal, o que ajuda a evitar diversas lesões.
Abdominais
O benefício da aula de abdominais aos corredores é parecido com o do pilates, fortalecimento da região abdominal e diminuição do desequilíbrio muscular. Mas o estilo da aula é diferente – essa deve ser mais apreciada pelos fãs de exercícios um pouco mais intensos.
“As contusões na região lombar são decorrentes da falta de fortalecimento na região abdominal. Você consegue esse fortalecimento com aulas de abdominal ou pilates. O que muda é o público da aula”, explica a professora da Bio Ritmo, Márcia Pedroso.
 Funcional + corrida
Há algumas aulas de academia que misturam corrida e treinamento funcional. Além do fortalecimento muscular, esse tipo de atividade permite ao atleta acompanhar facilmente sua evolução nos tiros de corrida, já que na esteira é possível medir com precisão sua velocidade durante cada fase da atividade.
“É uma aula intensa e extremamente desafiadora porque o aluno consegue monitorar sua velocidade e isso gera muita motivação. Ele vai evoluindo no sprint e consegue mensurar esse grau de evolução”, diz a profissional da Bio Ritmo, onde a aula nestes moldes é chamada Race Bootcamp.
Ciclismo 
Aulas de ciclismo dentro da academia promovem ganhos cardiovasculares, mas sem o alto impacto da corrida de rua. Joelho e quadril agradecem esse descanso enquanto o atleta fortalece os membros inferiores sem sobrecarregar os músculos exigidos durante a corrida.
Jump
As aulas de jump são outra maneira de trabalhar os membros inferiores sem o impacto das passadas no asfalto. Realizadas em cima de camas elásticas individuais, muitas vezes contam com movimentos similares aos da corrida, além de fortalecimento para os quadris, e podem ajudar na prevenção de lesões.
https://www.ativo.com/corrida-de-rua/treinamento-de-corrida/aulas-de-academia-para-corredores/

sábado, 24 de dezembro de 2016

Desaquecimento: faça e se recupere melhor após a corrida

Você sabe qual a importância do desaquecimento para sua recuperação pós-prova? O descanso ativo é a melhor forma de se recuperar depois de um exercício intenso. Quando um corredor está em plena atividade, seu corpo trabalha em uma intensidade muita alta. Se parar de forma abrupta, terá uma queda brusca da frequência cardíaca e da pressão arterial, podendo haver taquicardia e náusea, além de tontura e desmaio.
“O desaquecimento vai fazer com que seu corpo volte a sua normalidade de forma mais calma. Nesse processo, o corredor vai reduzir a frequência cardíaca de forma mais tranquila, diminuir o nível de pressão arterial, fazer com que os hormônios e processos metabólicos se desacelerem, que o processo de ácido lácteo aconteça de forma mais efetiva, que a musculatura seja relaxada e a temperatura corporal diminua”, diz o treinador Rogério Carvalho, diretor técnico da Enduro Sports Coaching Brasil.
Com o desaquecimento, o corredor faz com que seu treino seja mais produtivo pois sairá de um momento de alta intensidade fisiológica e passará a ter uma recuperação gradativa, aproveitando melhor os resultados do treino e voltando a sua normalidade fisiológica natural. 
“De 5 a 15 minutos de uma caminhada ou um trote bem leve já são o suficiente para que os processos de desaceleração hormonal e metabólico aconteçam no corpo, o que resulta em uma recuperação mais eficaz”, diz o treinador Daniel Teodoro, diretor técnico da assessoria esportiva Teo Esportes.
Além da caminhada, é importante que o corredor faça um bom alongamento depois da prova para soltar a musculatura, ou uma soltura miofacial, além de se hidratar para acelerar a diminuição da temperatura corporal. 
https://www.ativo.com/corrida-de-rua/treinamento-de-corrida/importancia-desaquecimento/

Você conhece os problemas de correr em jejum?

Você conhece os problemas de correr em jejum? Muitos atletas iniciante ao saírem para correr esquecem de se alimentar, ou não comem de propósito, sem saber  o quão mal isso pode ser para sua saúde e o rendimento nos treinos.
“Durante o jejum, a gordura será disponibilizada por um tempo para fornecer energia, mas depois e dependendo da intensidade do exercício, o organismo começa a utilizar massa muscular para fornecer energia para a atividade. Nosso corpo começa a perder massa magra e o exercício deixa de ser saudável”, diz Daniel Teodoro, diretor técnico da assessoria esportiva Teo Esportes.
Além de perder massa magra,  a pessoa que escolhe correr em jejum pode sentir falta de disposição, desânimo, apresentar visão turva e fraqueza.  
A maioria dos corredores que opta por correr sem comer o faz pensando em emagrecer, porém essa estratégia não é recomendada por muitos treinadores e cientistas porque não é ancorada em estudos.
“Não temos evidências científicas de que treinar em jejum é mais eficiente tanto para a mobilização de gordura quanto para o processo crônico de emagrecimento e ainda menos para condicionar uma pessoa de forma saudável”, alerta o treinador Antonio Caputo, da assessoria esportiva Speed.
Segundo o técnico, o corpo exerce naturalmente mecanismos para manter a taxa de glicose estável durante o repouso, quando vamos praticar uma atividade física ainda nesse estado (jejum) ele já usou as reservas energéticas durante o sono e, assim, não as terá quando for exigido durante o treino. Por isso, procurará outras fontes para disponibilizar energia ao corpo.
A nutricionista Julia Vasconcellos, mestre em ciência do alimento pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, indica que o corredor deve se alimentar cerca de 40 minutos antes do treino.
“A refeição deve conter proteínas e carboidratos. Por exemplo, pão com queijo magro e geleia ou mel, ou pão com ovo mexido ou cozido, além de uma fruta ou suco.”, explica a nutricionista. “Apesar disso, devemos respeitar a individualidade, pois pessoas possuem tempo de digestão (esvaziamento gástrico) diferentes”, completa.
https://www.ativo.com/corrida-de-rua/iniciantes/problemas-correr-em-jejum/

"Não é que o exercício faça bem, a vida sedentária é que faz mal ao corpo",

Nesses momentos, procuro me excluir dessa massa de mulheres e homens destruídos pelo cansaço da prova, acho que não estou mal como eles e que resistirei à vontade de chorar de dor nas pernas.

Fico em dúvida, no entanto, quando percebo neles uma expressão de pesar ao olhar para mim. Pior ainda quando, ao ultrapassar, me perguntam: "O senhor está bem?" Senhor é a senhora sua mãe, tenho ímpetos de responder.

Quando completei 70 anos, enfrentei uma crise nada existencial: quantas maratonas ainda serei capaz de completar?

Decidi então, correr de três a quatro por ano, resolução que me obrigou a manter a rotina de treinamentos intensivos que tortura todo corredor forçado a sair da cama antes de o dia clarear.

Quando você, leitor, ouvir alguém que se gaba de acordar louco para fazer exercícios, não fique complexado: é mentira. Como eu sei? Se existisse tal disposição eu a teria sentido pelo menos uma vez nos últimos 23 anos. Para mim, levantar da cama e começar a correr sempre foi sacrifício; todas as vezes, sem uma exceção sequer.

A disciplina com os treinamentos deu resultado. Em 2013, fui o primeiro colocado na faixa acima de 65 anos na maratona do Rio e na de Buenos Aires, com tempos que me classificaram para a maratona de Boston de 2014.

São seis as maratonas mais importantes do mundo: Nova York, Chicago, Londres, Berlim, Tóquio e Boston. Dessas seis "major marathons", Boston é a mais elitista, a única que exige o pré-requisito de haver corrido uma maratona internacional, nos 12 meses anteriores, num tempo mínimo que varia com a faixa etária.

Nas rodas de maratonistas –mulheres e homens que falam de corridas o tempo inteiro–, contar que já participou de Boston provoca interjeições de admiração. É o sonho de todos.

Corri a de 2014 sob a vigilância de um policial armado a cada cem metros e dos helicópteros em voos rasantes, mobilizados por causa do ataque terrorista do ano anterior. Em 2015, no auge do preparo físico, fui selecionado outra vez.

Na metade da prova, senti um choque na planta do pé esquerdo, sintoma que aparecia de vez em quando nos treinos mais longos. Cem metros à frente, novo choque, seguido de outros, cada vez mais frequentes e intensos, que anestesiaram o terceiro e o quarto dedo. A partir do 30º quilômetro foi um martírio, era como se milhares de formigas alvoraçadas me ferroassem a planta e os dedos do pé.

O bom senso aconselharia a abandonar a prova, mas sensatez não é o forte das pessoas que correm 42 km. Quando cruzei a linha de chegada, meu pé esquerdo parecia pertencer a outra pessoa.

Paguei caro a teimosia; estava com um tipo de fibrose num dos nervos do pé, que me deixou dez meses quase sem correr. Depois de várias palmilhas e outras tentativas infrutíferas, acabei operado em julho deste ano.

Três meses mais tarde, fui voltando devagar. A inatividade trouxe dois quilos a mais, roubou parte do meu fôlego, da resistência, da disposição para o trabalho e do bom humor, estragos reparados assim que comecei a correr.

Estou longe da melhor forma física, mas a diferença em relação ao período inativo é abissal. Não me refiro somente à sensação de bem-estar que os músculos cansados proporcionam, mas ao impacto psicológico. Além de rebaixar os níveis de felicidade, a inatividade veio acompanhada de um certo pessimismo diante dos problemas pessoais e dos desafios que a vida no país impõe neste momento.

O objetivo da última coluna deste ano, caríssimo leitor, é convencê-lo de que passar os dias sentado é muito ruim. Não é que o exercício faça bem, a vida sedentária é que faz mal ao corpo e ao espírito.
por Drauzio Varella Folha de São Paulo