RUMO À CENTÉSIMA

sábado, 2 de janeiro de 2016

Roque Sponholz | Humor Político - Rir pra não chorar

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Mais manobras



O governo faz neste final de ano dois movimentos que visam reduzir a pressão política adversa proveniente do processo de impeachment que deve dominar o debate político no regresso do recesso parlamentar e do Judiciário, em fevereiro.
No campo político, ao mesmo tempo em que tenta remontar sua base política para garantir a maioria na Câmara, o ministro do Gabinete Civil Jaques Wagner admite candidamente que erros cometidos pelo governo Dilma em 2013 e 2014 contribuíram para a grave crise que o país enfrenta.
No campo financeiro, o governo prepara-se para pagar ainda neste ano que insiste em não terminar as pedaladas fiscais condenadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU).
Os atrasos nos repasses do Tesouro para o pagamento de programas sociais e subsídios criaram uma dívida de R$ 57 bilhões com os bancos públicos, e elevarão o déficit primário a R$ 119,9 bilhões, equivalente a 2% do PIB. Na definição de um ministro do TCU, “estão explodindo o déficit nas contas públicas neste ano para ver se melhoram o resultado que irão apresentar em 2016”.
No seu arremedo de mea culpa, o ministro Jaques Wagner, enumera “os erros”: desoneração exagerada e programas de financiamento num volume muito maior do que a gente aguentava. Vê-se que o governo muda sua versão para justificar as pedaladas fiscais, pois já ficou provado que não foram os programas sociais os maiores beneficiados pela leniências governamental com as contas públicas, mas subsídios para grandes empresas, por meio do Programa de Sustentação do Investimento (PSI) do BNDES, e empréstimos para empresas do agronegócio através do Banco do Brasil.
Na verdade, o governo quebrou o país em busca da reeleição da presidente Dilma, e agora tenta minimizar os crimes cometidos contra a Lei de Responsabilidade Fiscal transformando-os em meras questões contábeis.
Mas as sanções para os governantes que desrespeitam a LRF existem, inclusive os crimes de responsabilidade de que Dilma é acusada, justamente para que governos não se utilizem do orçamento público para, num abuso de poder econômico – outra razão para o impeachment ou anulação da eleição presidencial – manter-se no poder.
O economista Paulo Rabello de Castro, presidente da RC Consultores e coordenador do Movimento Brasil Eficiente, classifica o relatório do senador pedetista Acyr Gurgacz aprovando "com ressalvas" as contas fiscais do governo federal de 2014, objeto de prévia reprovação unânime no plenário do TCU, como “a pá de cal” no conjunto da obra dos nossos governantes neste “annus horribilis” “digno de ser lembrado para nunca ser repetido”.
Um balanço de fim de ano “que mais parece com o fim do mundo” traz uma esperança dentro do desespero, segundo o economista. “A radicalização do mal em 2015, torna mais próximo o momento da virada”, diz ele, que acredita que “cresce o repúdio à aprovação "com ressalvas" de qualquer comportamento incorreto, seja do governo ou da sociedade”.
Para ele, será uma exigência da sociedade “o fim da tolerância com rombos fiscais gigantes, como os 10% do PIB de déficit público em 2015, cujos 500 bilhões em juros, correspondendo a 20 copas do mundo jogadas no lixo num único ano, virarão dívida com assinatura de Dilma para os pobres pagarem com mais impostos em 2016”.
Com “todas as fichas caindo ao mesmo tempo na percepção dos brasileiros” o próximo ano pode vir a ser melhor do que foi este, “embora sendo pior na ótica do poder de compra, das vendas, dos investimentos e da forte corrosão inflacionária”. Isso por que, para o economista, “novas forças políticas tenderão a se aglutinar em torno de mensagens novas e descomprometidas do mar de malandragens em que se transformou a política nacional”.
Uma nova maneira de se conduzir as questões públicas no Brasil pode prevalecer, com a intensificação das perdas levando a sociedade “ao ponto da virada”. Para Paulo Rabello, “este é o melhor cenário disponível para nós neste fim de ano. O resto é abismo e dissolução, que nos cumpre evitar a qualquer custo”.
POR MERVAL PEREIRA
31/12/2015 08:00
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Me dê motivo

Sarney fez o diabo para conseguir mais um ano de mandato e ganhou o quê? Mais 365 dias para ser desmoralizado, humilhado e execrado

Os números do Ibope são contundentes: 67% dos brasileiros querem o impeachment de Dilma. Não sabem bem por qual motivo, mas querem vê-la fora do governo. Lula chegou até a culpar o machismo pela impopularidade da presidenta, mas são justamente as mulheres, 70%, contra 65% dos homens, que mais desejam o seu afastamento.
Entre os jovens de 16 a 24 anos, são 75% que querem Dilma longe do palácio. E pior: entre os pobres, que ganham até um salário-mínimo, tradicional clientela eleitoral petista, 68% apoiam o impeachment. Mais até do que os ricos, que ganham acima de cinco salários: só 66% deles são pró-impeachment.
São mais de dois terços dos brasileiros, cerca de 130 milhões de cidadãos, que querem o impeachment, enquanto pouco menos de um terço é contra. Uma maioria avassaladora e qualificada, que, se representada no Congresso, tem poder até para mudar a Constituição.
Com as mesmas intolerância e radicalismo que agora o atingem, o PT pediu o impeachment de Sarney, Itamar Franco e Fernando Henrique no Congresso. Perdeu os três, e acabou contribuindo para os adversários ganharem uma sobrevida e se fortalecerem na reafirmação de sua legitimidade.
É o melhor que pode acontecer a Dilma. Ser processada pelo Congresso e absolvida por uma maioria, que não garante apoio a seu governo e a faz refém dos seus salvadores. E continuará ladeira abaixo como um Sarney sem jaquetão. Sarney fez o diabo para conseguir cinco anos de mandato e ganhou o quê? Mais 365 dias para ser desmoralizado, humilhado, desprezado e execrado.
Todos já sabem que os maiores beneficiários de um improvável impeachment seriam Lula e o PT, que se livrariam de Dilma, passariam à oposição como vítimas de um golpe “da direita”, e iriam até 2018 gritando contra a crise que deixaram e prometendo redenção.
Muita gente é contra o impeachment, não por amor a Dilma, mas pelos mesmos motivos de Fernanda Torres: “porque livrará o PT da responsabilidade pela atual crise e, só atravessando a fase aguda da infecção, com todos os envolvidos presentes, ganharemos imunidade contra o populismo de esquerda e o oportunismo de direita.”
Me dê motivo
Sarney fez o diabo para conseguir mais um ano de mandato e ganhou o quê? Mais 365 dias para ser desmoralizado, humilhado e execrado
OGLOBO.GLOBO.COM|POR NELSON MOTTA

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sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

O Brasil pós-Cunha

Qual será a agenda do País a partir de fevereiro, quando a Câmara provavelmente terá um novo comando?
Depois de uma semana em que o Brasil perdeu definitivamente seu “grau de investimento”, seu ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e também viu a batalha do impeachment ser adiada para, pelo menos fevereiro, após o recesso do Judiciário e dos parlamentares, é chegada a hora de se colocar uma questão crucial: qual será a agenda em 2016 para retirar o País de uma das piores recessões de sua história?
Essa é uma reflexão que deve ser feita tanto pelo governo como pela oposição. Enquanto tantas energias foram gastas, de um lado, para se manter no poder, e, de outro, para promover o impeachment, havia um País no meio, paralisado pela guerra política. Em 2016, o elemento novo na discussão será a provável saída do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) tanto do comando da Câmara como do próprio parlamento, quando seu pedido de afastamento vier a ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal – o que deve ocorrer antes da decisão do conselho de ética.
Se o presidente da Câmara foi a pedra no sapato do governo federal, com suas pautas-bomba, ele também acabou se transformando num estorvo para a oposição, ao contaminar o pedido de impeachment. Nas próximas semanas, Cunha agonizará em praça pública, até que chegue o dia definitivo de sua degola. Mas e depois? Qual será a agenda de reformas para restaurar a confiança e o dinamismo na economia brasileira? Mais do que isso: de que maneira as forças políticas poderão buscar pontos de consenso? Haverá diálogo e pacificação ou a guerra pelo poder será mantida?
Antes da sua demissão, Levy tinha a esperança de que o Brasil, ao chegar à beira do precipício, encontrasse energias para se reinventar. Esse sonho ainda é possível. Se 2015 foi o ano da implosão de uma velha política, 2016 poderá ser marcado por reformas tanto na política como na economia. ISTO É

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O CRIME JÁ FOI PRATICADO

A presidente Dilma completou ontem o repasse de 72,5 bilhões de reais para o Banco do Brasil, a Caixa Econômica e outros bancos públicos, dinheiro que havia retirado de seus cofres para equilibrar as contas do governo.  Assim, Madame  livrou-se das acusações de haver apelado para recursos ilegítimos que a lei proibia, imaginando escapar do processo de impeachment aberto contra ela no Congresso.
O diabo é que o crime já havia sido praticado, mas tem pior nessa equação contábil.  Só no Rio, para não lembrar outros Estados, a saúde pública encontra-se em frangalhos, com a população à míngua, amontoada sem tratamento em filas na porta de hospitais e postos de saúde.
Os 72,5 bilhões serviram para equilibrar as despesas dos estabelecimentos oficiais ou para  evitar o sofrimento dos fluminenses abandonados e entregues à própria sorte, sem médicos, enfermeiros, remédios e equipamento imprescindível à própria sobrevivência?  No Rio e no restante do país.
O que teria sido melhor?  O desvio ou o uso da quantia desviada para minorar as agruras da população?  A quem deve atender o poder público? Ao cidadão carente ou ao governante em vias de perder o mandato e parar na  cadeia?  Pior ainda quando se conclui que o rombo nas contas públicas não se limitou aos 72,5 bilhões, pois em 2015 alcançou 118, 6 bilhões.
Evidência maior inexiste de incompetência administrativa, em especial se puder ser aferida a quantia surripiada pela corrupção na Petrobrás e demais empresas públicas. Já tem gente presa, entre políticos, parlamentares, empreiteiros e altos funcionários, mas até agora não se conseguiu somar o quanto foi desviado.  Provavelmente muito mais do que 118.6 bilhões. Há quem calcule acima de trilhões. Será que  os ladrões poderão devolver? Conseguirá o governo aplicar o dinheiro roubado em benefício da sociedade?
Ontem, último dia do ano, tudo continuou subindo, dos transportes coletivos ao dólar, da inflação aos gêneros de primeira necessidade. Dos impostos à taxas e tarifas, os alugueis e os combustíveis. Menos os salários. Parece evidente que nada vai mudar.CARLOS CHAGAS
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Correr a vida inteira rejuvenesce

Correr – o que agora se chama running e que em nossas origens paleolíticas era a diferença entre um ser humano vivo e outro morto de fome – nos mantém mais jovens. É o que revela um novo estudo que analisou o consumo de energia do corpo humano durante o exercício como se fosse uma máquina a mais. Seus resultados indicam que pessoas na casa dos 60 e 70 anos, que correram durante décadas regularmente, mantêm uma maior eficiência energética, comparável em alguns casos à de pessoas de 20 anos. No entanto, pessoas dessa mesma idade que caminham frequentemente como forma de exercício não têm um organismo tão eficiente, segundo os autores.
A pesquisa, publicada no site PLoS One, sustenta o que foi dito em muitos estudos sobre medicina e esporte: fazer exercícios aumenta a expectativa de vida, atrasa a chegada da dependência em mais de uma década e pode economizar para os sistemas públicos de saúde dezenas de bilhões de euros com remédios, hospitalizações e tratamentos.“Correr mantém você jovem”, diz Rodger Kram, fisiólogo da Universidade de Colorado e um dos autores do estudo. Seu trabalho analisou a eficiência energética de um grupo de pessoas atípicas, como ele mesmo reconhece. São pessoas entre 64 e 74 anos, que correm pelo menos meia hora três vezes por semana há muitos anos, inclusive décadas. São segundo, Kram, herdeiros do chamado jogging boom, uma moda que começou no final dos anos setenta nos EUA e em outros países e que multiplicou o número de corridas populares, maratonas transmitidas pela TV, anúncios de tênis e todo tipo de acessórios esportivos.
O próprio Kram corre há mais de três décadas e estuda seus efeitos sobre o corpo humano a partir do campo científico da biomecânica. Nesse estudo, comparou a eficiência energética desses corredores veteranos com a de pessoas de idade semelhante que caminham regularmente como exercício. Foi pedido que ambos os grupos caminhassem em diferentes velocidades sobre uma esteira ergométrica enquanto se observava seu nível de oxigênio. Os resultados do estudo, que analisou um total de 30 indivíduos, mostraram que os corredores mantêm uma eficiência energética comparável à de uma pessoa sedentária de 20 anos quando caminha. As pessoas que andam regularmente, por outro lado, registraram um consumo energético maior, comparável ao de pessoas sedentárias de sua idade. Os corredores eram entre 7% e 10% mais eficientes que pessoas da mesma idade que andavam.“Foi uma surpresa que os corredores de nosso estudo caminhassem de forma mais eficiente do que pessoas que andam regularmente como exercício”, afirmou Owen Beck, coautor da pesquisa, em um comunicado à imprensa. “A mensagem final do estudo é que correr regularmente parece atrasar o envelhecimento e permite que pessoas idosas se movimentem mais facilmente, o que melhora sua independência e qualidade de vida”, acrescenta.
A facilidade para caminhar é um indicador “fundamental” de doença e morte. “Se você caminhar menos do que 0,5 metro por segundo [1,8 quilômetros por hora] seu risco de morte aumenta três vezes”, diz Mikel Izquierdo, diretor do Departamento de Ciências da Saúde da Universidade Pública de Navarra. Izquierdo acredita que o estudo de Kram é um pouco “oportunista”, pois se aproveita do crescente interesse que existe em tudo o que é relacionado à corrida para promover benefícios que são reais, mas modestos, avalia. O lado positivo do estudo, reconhece, é que “mostra que correr melhora a economia energética, o que por sua vez facilita que as pessoas possam fazer mais exercício, e este é chave”. “Se você for fisicamente ativo, se corre, seu risco de morte diminui oito anos comparado com o de pessoas sedentárias de sua idade e, acima de tudo, diminui em 12 anos a chegada da dependência por incapacidade”, explica.Por isso, além de ajudar a vender tênis, meias e pulseiras inteligentes, a moda atual do running poderia ter efeitos muito positivos caso deixe de ser uma moda e passe a ser algo mais. “Se podemos manter essa massa crítica do running, spinningou qualquer outro esporte da moda, haverá pessoas que não apenas vivem mais, mas que serão independentes por muito mais tempo, e isso representa qualidade de vida, economia em remédios, serviços de saúde, atraso da demência e inclusive do Alzheimer etc.”, destaca Izquierdo.

Os ciclistas perdem eficiência

“O estudo é interessante porque mostra que o exercício atenua muito os efeitos do envelhecimento”, destaca Alejandro Lucía, professor de Fisiologia Humana e do Exercício da Universidade Europeia de Madri. Lucía é especialista em efeitos físicos do exercício em pessoas idosas e pacientes com câncer, para os quais a prática de esportes também demonstrou melhora de seu estado de saúde, diz. “Os médicos têm que aprender a prescrever exercício físico”, destaca.
À medida que se envelhece, a capacidade aeróbica vai diminuindo em todos os tipos de pessoas, inclusive nos corredores. A fadiga característica de pessoas idosas acontece porque a curva descendente de sua capacidade aeróbica e a ascendente de seu consumo de energia se encontram, obrigando-as a parar para recuperar o fôlego, afirma Kram. O que o estudo revela é que o consumo de energia em corredores regulares é mais baixo do que o das pessoas que caminham, e se mantém mesmo com o envelhecimento. Esse menor consumo energético permite realizar com menos problemas tarefas como andar.
Os autores do estudo destacam que caminhar como exercício continua sendo muito benéfico, por exemplo, para evitar doenças cardiovasculares. O problema é que a eficiência energética não está entre esses benefícios. Os pesquisadores não conseguiram descobrir por que os corredores são mais eficientes e por que essa eficiência é mantida com o passar dos anos. De fato, estudos anteriores haviam provado justamente o contrário, nesse caso estudando ciclistas e triatletas veteranos. Kram acredita que a resposta possa estar nas mitocôndrias, organelas celulares encarregadas de proporcionar energia. As pessoas que fazem exercício tendem a possuir mais mitocôndrias em suas células e essa pode ser a explicação do que foi observado, embora seja necessário conduzir mais estudos para investigar as causas, diz Kram. NUÑO DOMÍNGUEZ Madri 21 NOV 2014 - 09:31 BRST
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Delator fala em pagamento de R$ 2 mi a Renan para evitar CPI

Renan Calheiros: senador já é alvo de ao menos seis inquéritos perante o STF por suposta participação no esquema de corrupção da Petrobras

Em delação premiada, Carlos Alexandre de Souza Rocha, um dos entregadores de dinheiro de Alberto Youssef, cita conversas em que o doleiro mencionou pagamentos ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Rocha, conhecido como Ceará, disse que em "várias vezes" ouviu Youssef falar no nome do peemedebista.
Em uma delas, Youssef teria dito que repassaria R$ 2 milhões a Calheiros para evitar a instalação de uma CPI da Petrobras.
O entregador de dinheiro não soube precisar aos investigadores o ano em que a conversa teria ocorrido, tampouco se o pagamento foi feito.
De acordo com ele, a CPI não foi instalada naquela ocasião. "Mas Renan Calheiros não é da situação?", questionou Ceará a Youssef. O doleiro teria respondido, segundo o delator: "Ceará, tem que ter dinheiro pra resolver".
Renan Calheiros já é alvo de ao menos seis inquéritos perante o Supremo Tribunal Federal (STF) por suposta participação no esquema de corrupção da Petrobras. Entre as apurações envolvendo o peemedebista, está a investigação por suposta formação da quadrilha.
No depoimento à Procuradoria-Geral da República, o entregador de dinheiro de Youssef também menciona uma operação com entrega de R$ 1 milhão em Maceió, Alagoas - Estado de Calheiros.
Depois de toda a operação, que envolvia retirada de dinheiro em Recife (PE) e entrega em Alagoas, Youssef teria dito a Ceará que o dinheiro seria destinado a Renan Calheiros.
O dinheiro foi entregue em duas parcelas em um saguão de hotel, a um homem que o emissário de Youssef não sabe identificar.
Ao chegar em São Paulo, irritado com a pressão do doleiro para que a entrega fosse feita depressa, o delator perguntou a Youssef quem iria receber o R$ 1 milhão levado a Maceió.
"Que Alberto Youssef respondeu ao declarante em alto e bom som: 'O dinheiro era para Renan Calheiros'", disse o delator aos investigadores da Lava Jato, sobre a resposta de Youssef.
A terceira menção a Calheiros feita pelo delator menciona uma operação de venda da empresa Marsans, adquirida por Youssef, a um fundo de pensão.
De acordo com o entregador de dinheiro de Youssef, o doleiro disse que "havia a participação de Renan Calheiros nessa operação".
Ele não soube precisar aos investigadores, no entanto, detalhes sobre o caso e afirmou que em 2014 Youssef chegou a viajar a Brasília para conversar com o peemedebista a respeito, mas não conseguiu falar com o senador.
Os depoimentos de Ceará foram prestados entre o final de junho e o início de julho deste ano, na Procuradoria-Geral da República.
As declarações foram mantidas sob sigilo até este mês, quando o relator da Lava Jato no STF, ministro Teori Zavascki, retirou o segredo da documentação.
A defesa de Calheiros afirmou que não teve acesso ainda ao depoimento e que o senador prestará esclarecimentos quando tiver a delação em mãos.
O advogado de Calheiros, Eugênio Pacelli, disse ainda que "tais declarações do delator são de uma inconsistência que falam por si".Beatriz Bulla e Fábio Fabrini, do Estadão Conteúdo

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